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Por Juliana Leijôto
O drama de Catarina (Lilia Cabral), em A Favorita, reflete a realidade de muitas mães brasileiras. Além de aceitar o marido violento, ela ainda teve de lidar com outro dilema: a gravidez da filha adolescente. O instinto de mãe fez Catarina apoiar a filha. Assim, Mariana não só teve a compreensão da mãe como a viu sair em sua defesa diante da língua felina dos vizinhos. Mas até que ponto Catarina é um modelo a ser seguido? Apesar de reforçar a importância do apoio em casa nessa hora tão difícil, sua proteção pode ser interpretada como um grande risco para o futuro de Mariana. Segundo a psicóloga Roseleide da Silva Santos, Catarina não tem feito a sua filha entender o peso da palavra mãe e é um exemplo autêntico - e contra-indicado- da realidade brasileira de avós que assumem a maternidade das filhas.
Notícia sem traumas
Com o impacto, possivelmente, alguns pais irão sentir raiva. A mãe, por sua vez, culpada. A maioria leva para si a responsabilidade do que acontece com os filhos e isso é errado, pois já na adolescência, independente da criação que o filho recebeu, ele já formou sua personalidade e vontade própria. O melhor é acolher a filha e o futuro neto com muito carinho, mas deixar claro que ela precisará assumir e entender as suas novas responsabilidades.
Chamando a atenção
Para Roseleide, a novela não ilustra uma realidade comum. "A relação familiar é muito complicada, o que torna difícil uma análise, pois existem muitas complexidades: um pai violento, uma mãe que não reage às agressões do marido, uma criança que não fala devido aos traumas vividos e agora uma adolescente grávida, sem estrutura para criar um filho. Adolescentes que vivem este tipo de realidade, geralmente engravidam para chamar a atenção dos pais. Catarina defende a filha, mas não se defende. É contraditória. A menina cresceu assistindo à mãe ser maltratada e humilhada pelo pai. Além da proteção, ela também precisa ensiná-la a entender o problema."
Ela não sabe quem é o pai
Não saber quem é o pai nessa hora é a pior coisa que os pais podem ouvir. "Que liberdade é essa que ela teve, a ponto de ter vários parceiros e não conseguir distinguir quem a engravidou? Provavelmente, trata-se de uma jovem que nunca ouviu um "não" e desconhecia as consequências desse ato", avalia Roseleide. Para evitar esta situação, ela explica que é preciso fazer um histórico da vida da adolescente. Pois, atitudes como essa, denunciam que a garota não se respeita, provavelmente tem auto-estima baixa e não se vê como uma pessoa valorizada. "Os pais precisam tentar compreendê-la e mostrar a ela que as coisas não funcionam desta forma, mas com consciência e amor próprio", ensina a psicóloga.
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