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Sentados à mesa para um almoço, um grupo de amigos conversa sobre seus hábitos alimentares. Um diz que não é lá muito fã de culinária japonesa, porque não suporta a textura de peixes crus (argh!). Outro aproveita o assunto e diz que sente certo nojo de ver carnes, de todos os tipos, sendo preparadas - sabe aquele sangue na tigela? Enquanto um terceiro descreve o arrepio que dá cada vez que mastiga um pedacinho de tomate. Cheiro, gosto, aparência tudo isso pesa, e muito, na hora de rejeitar ou apreciar um prato, conclui a turma.
Quase todo mundo já participou de uma conversa como essa, portanto fique tranquila se você não for exceção. A aversão por alguns tipos de comida pode virar motivo de piada ou render-lhe o título de frescurenta, mas, até certo ponto, essas sensações ruins são bastante normais, afirma Luiz Scocca, psiquiatra e psicoterapeuta de São Paulo. "Dificilmente encontramos um adulto que coma efetivamente todos os alimentos. É incrível como há crianças asiáticas, por exemplo, acostumadas a pratos que muitos comilões ocidentais recusariam", exemplifica o médico.
"Não quero, manhê!"
Fazer cara feia diante do prato só se torna um distúrbio quando a atitude passa a incomodar não apenas o paladar e o estômago, mas, também, a cabeça. Aí sim, é preciso ligar o sinal de alerta. Ainda não se sabe muito sobre as chamadas fobias alimentares, mesmo porque poucas pessoas percebem que a recusa por certos ingredientes é, de fato, uma questão de saúde e, por isso, deixam de procurar orientação médica.
Ainda assim, especialistas acreditam que este comportamento na idade adulta pode ter relação com experiências negativas na infância, como a obrigação ou falta de costume de incluir certos itens no cardápio. "As crianças têm grande sensibilidade a temperos e cheiros fortes e desagradáveis, e uma lembrança ruim pode durar a vida toda. Às vezes, passa com a idade, mas, se fica, nunca devemos abordar o tema como frescura", lembra Luiz Scocca.
Até mesmo um episódio isolado, e aparentemente bobinho, como ter sentido náusea ou engasgado, pode gerar tal aversão. "A pessoa começa a acreditar que, se comer aquilo de novo, vai enfrentar a mesma consequência. O organismo pode até solicitar o alimento, mas é um bloqueio. A garganta simplesmente fecha", afirma a psicóloga Roseleide Santos, da Clínica Viver com Qualidade, de São Paulo.
Quando o nojo vira fobia
O que faz você amar e saborear com desejo um alimento tem tudo a ver com o que aprendeu a comer desde cedo, com a vida que leva hoje e, principalmente, com suas preferências pessoais - afinal, como dizem, há gosto para tudo! Por outro lado, a rejeição também nasce desses mesmos fatores, mas o que leva à fobia vai além de tudo isso. "Esse sintoma é uma ansiedade acentuada, uma crise que pode surgir diante de inúmeras situações, como entrar no elevador, caminhar na multidão, andar de avião. No caso da fobia alimentar, a pessoa se depara com um tipo de ingrediente que desencadeia essa ansiedade. Aí podem surgir tremor, taquicardia, sudorese, calafrio e enjoo", detalha a psicóloga
Boca adentro sem neura!
E o que fazer quando você se der conta dessa história toda? Bem, a primeira providência é mesmo parar de forçar a barra e evitar a situação desagradável. "Quem se sente assim deve entender que, na maioria das vezes, irá enfrentar certo grau de ansiedade quando tentar se alimentar e que será passo a passo que o problema será contornado", aconselha o psiquiatra. Em seguida, vale a pena procurar a ajuda de especialistas e relatar todos os sintomas, afinal, a fobia alimentar pode acompanhar doenças como síndrome do pânico, bulimia, anorexia, ansiedade generalizada, ou outras específicas. É essencial, portanto, que a paciente passe por um trabalho multidisciplinar com psicólogo, gastroenterologista, nutricionista e psiquiatra para identificar a raiz dessas crises à mesa.
Clínica de Psicologia VIVER COM QUALIDADE
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